“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].” Clarice Lispector
Faz 2 anos que não recebo 1 salário por serviços prestados.
Meu último salário foi em Jul/2006, quando tomei a decisão de não voltar da Licença Maternidade.
Tentaram me convencer que eu estaria vestindo a carapuça da Amélia, assinando minha escravidão, que eu seria anulada, traída, não pensaria mais e provavelmente usaria cabresco.
Mas como sou um tanto teimosa, não acreditei.
Pois bem. Continuo aqui, pensando, gerando e construindo.
Não construo mais gráficos ou planilhas, nem faço pesquisas de rede para o mercado; Mas continuo gerando energia, fazendo com que as coisas funcionem, com que minha filha cresça educada, alimentada e orientada, com que minha casa fique em ordem assim como as idéias dentro da minha cabeça.
Hoje percebo que o que eu fazia antes nada tem a ver com a minha natureza, a profissão que eu exercia não reflete em nada o que eu sou.
Uma vez li que quando não fazemos o que nossa alma pede nossa vida não tem progresso, as forças do universo não aprovam. E é verdade.
Depois que tomei a decisão de ser só Mãe minha vida melhorou consideravelmente, minha alma
pedia, eu precisava amar sobretudo minhas escolhas.
Claro que sinto falta de Happy Hour, almoços e 13ºsalario. Mas logo me recordo que não sinto falta nenhuma de acordar as 6:30, pegar metrô, ouvir "cantada barata" de colegas de trabalho ou esporro de chefe de mal humorado.
Mas os filhos crescem e ai?
Pois é, os filhos crescem, e com isso, as oportunidades também.
Farei tudo o que eu tenho vontade em breve, sem a pretensão cansativa de ficar milionária, deixo isso para meu marido, rs.
Farei aquele curso, e aquele outro, vou assistir aquela palestra e quem sabe plantarei aquela árvore...E com toda certeza, farei uma horta.
Vou viver dentro das minhas possibilidades, porque ser Feliz é um estado de Paz e ninguém tem
Paz fazendo o que não gosta, vivendo com o peito angustiado.
Encontrei minha vocação. Amar minhas escolhas; E a escolha do momento é cuidar da minha pequena.
Nasci para criar meus filhos, faze-los adultos e assim crescer também, realizando a infinidade de objetivos que minha mente abriga e provar, se é que isso é necessário, para uma geração preconceituosa e desapegada que SIM é possível ser alguém e chegar além do fogão mesmo dedicando seu tempo para formar uma outra pessoa.
Esta aí Clarice que não me deixa mentir.
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Um comentário:
Nossa, Jen. Você me descreveu nesse texto. Só que você é beeeem melhor das palavras do que eu.
Obrigada.
Helena
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