quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Mãe e Desnecessária, bem Obrigada!

"Ser mãe é a arte de se tornar desnecessária"

Profundo né?

Ser mãe é ensinar andar e permitir correr
É ensinar a ler e permitir escrever
É cantar com os filhos, na língua deles
É ensinar a pular de asa delta e permitir o vôo na imensidão do mar.

Tornar-se descenessária não significa largar a criança sem cuidados, promovendo uma falsa independência, é cuidar sem sufocar, é entender a linha tênue de permitir e ser permissiva.

Hoje quando desci com Luiza para o play, ela queria subir na balança, logo pediu ajuda, antes da vizinha ajuda-la eu interrompi: "Vai filha, você consegue, coloca uma perninha e dá um impulso!"
E lá foi ela, conseguiu e se orgulhou disso, talvez com ajuda não seria tão interessante subir na balança, mas eu permiti que fosse.

Claro que nem sempre sei o que fazer, óbvio que erro pra caramba, mas quem não erra?

Álias, já disse Winnicott: "Ao contrário do que muitos pensam, a mãe suficientemente boa não é a mãe supostamente perfeita, mas sim, a mãe flexível o suficiente para poder acompanhar o filho em suas necessidades, as quais oscilam e evoluem no percurso para a maturidade e autonomia." Então estou no caminho certo.

Deixar o filho sentir, ser um indivíduo sem que o ego materno interrompa o processo, dar a chance para tomar suas próprias decisões e gozar de suas conquistas, mesmo que signifique somente subir na balança. E as birras? Deixe birrar! Quem não faz de vez em quando? Eu faço sempre.

Muito se fala em Attachment Parentig ou Parentagem de apego que nada mais é que criar relações fortes e saudáveis com os filhos, tratando-os com respeito, gentileza e interagir com eles da maneira que gostaríamos que o mundo interagisse conosco, fácil né?

Pois é, muito lindo e simples se não fosse um problema que temos chamado "traumas de infãncia", e digo da nossa infância (pais), claro.

Esses dias li um texto muito legal do Mário Quilici que dizia mais ou menos assim, que temos o péssimo hábito, (não sei se hábito seria a melhor palavra para descrever), de ver em nossos filhos o que fomos, e trata-los como fomos tratados.

Geralmente enxergamos nossas próprias crias como selvagens, birrentos, maldosos, quando cresce então piora, sao rebeldes, diferentes, exóticos e ainda temos a pretensão de achar que só ouvindo nossos sermões eles se tornariam anjos de bondade e de excelente caráter... Por que?

Porque assim que nossos pais faziam, e os rebeldes, eram nada menos que nós.

Ora, deu certo, sou uma pessoa ótima hoje, vc pode pensar....
Mas será que foi bom pra sua auto-estima? Como você se sentia quando sua mãe lançava aquele olhar "43" que não era de conquista e sim de desaprovação?

Álias até hoje a opinião de nossa mãe interfere diretamente na auto-estima, e acho que assim sempre será. Quer queira ou não.

Será que nossos filhos merecem esse fardo que hereditariamente colocaram em nossas costas?

Eu prefiro quebrar as correntes, prefiro respeitar quando ela quiser pintar o cabelo de verde e ir estudar fora do Brasil (ok, ok, vou chorar uma semana), mas farei de tudo para respeita-la, ama-la incondicionalmente além dos meus grilos, eu quero minha filha "free", leve, independente.

Desejo com todas as forças do meu ventre que ela se torne um indivíduo pensante, consciente e equilibrado.

Quero ela pronta para colaborar no mundo, sem minhas neuras, sem as neuras do pai, sem as neuras das avós, avôs e múmias.

Quero Luiza voando de asa delta, só com o nome dela estampado, e com as neuras que ela desejar criar...

Será que consigo reescrever Elis?

“Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”


2 comentários:

Adriana ,Sofya e Emanuelle disse...

Adorei o post Jen!

Ontem enquanto eu dava banho na Sof,Manu chorava e chorava...Por simplesmente estar com SONO!
Eu respirei fundo várias vezes.... E ai pensei;É SÓ SONO...SONO..Ela nao fala, tem que chorar mesmo...

Ahh..Sofya sempre tem essas de me pedir as coisas...E eu: Vai tenta...E a maioria das vezes ela tenta sozinha... Um dia estavamos no parque e ela caiu... E eu fui ajuda-la..Falei: Vai Sof, levanta amore, nao foi nada.... Ela levantou e pronto!

Outro dia tava falando com minha mae sobre os Emos.. ela falando q ainda bem q nao fomos emos e tal...Eu sorri e me vi no futuro: Se minhas filhas quiserem ser Emos serãO(aaaahh, espero nao morrer), se elas quiserem ser lésbicas serão(outro medo q minha mae tinha), eu vou procurar sempre ser uma mae desprendida emocionalmente..

MESMO QUE CHORE RIOS DE LÁGRIMAS COM AS DECISÕES DELAS!


Aghhh,, ficou um mini post no seu coments né... É q achei interessante vc escrever isso hj, sendo q justamente ontem eu pensei sobre isso!


Bjs

Bruna Leite disse...

Cheguei no seu blog pela comuna de PR.
Você escreve bem pra caramba!! E esse texto reproduz exatamente como me sinto...
uma delícia de diário virtual..

beijos..