sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Natalizando

Por anos fiquei de mal com o Natal e não entendia muito bem o motivo.

Minha mãe se separou do meu pai no Natal, e apesar de negar várias vezes, este foi o motivo, era sempre como o anúncio de mal presságio esta época.

Dos 10 anos em diante travei uma disputa com a época Natalina para evitar a felicidade, eu fazia questão de apertar o coração, de ficar infeliz.

Quando mais nova, passava a ceia isolada da família chorando em algum canto, já mais velha, meu refú
gio era alguma viagem ou casa de amigos, alias até em casa de amigo do amigo já passei...Fazendo o que? Nem sei. O Natal era como uma taça de morfina, eu nada sentia, nem via.

Óbviamente que a culpa não é da minha mãe (estou escrevendo isso porque ela lê meu blog e ficará automaticamente sentindo aquela culpa estúpida que toda mãe carrega).
Mãe, não há culpados!
Seu coração não suportava mais aquela casa, aquele homem, estreiando brigas para a platéia lotada por dois ingressos, meu e da minha irmã.
Você merecia mais, um Natal seu, nosso, com o coração em paz e os olhos desvendados da tristeza; Você renasceu, estava morta. Você fez muito bem, corajosa, como sempre, fez por nós.

Continuando...
Passei anos assim e esqueci o sentido do Natal. Até Luiza nascer...

Os dois Natais após seu nascimento foi como um processo de cura, não era ruim mas não era bom, mas estava diferente, ela faz a vida ficar diferente...
O ultimo (2007) foi menos pior eu diria;
Resolvemos fazer a ceia no salão de festas do condomínio, convoquei as famílias, cozinhei muito e dormi pouco, e na noite do dia 24 estávamos todos em volta da mesa, celebrando.
Fizemos um pai nosso a meia noite, e ali, naquele momento, eu fui curada como um milagre.
Foi ela, Luiza, tenho certeza, seus anjos não acharam justo que ela tivesse uma mãe tão tristonha nesta época. Quase um ano se passou...


E já vejo o Natal com mais cor, Luiza sabe quem é o Papai "do Céu" que traz presentes, rs, e deixa tudo mais divertido, sua gargalhada olhando a árvore, ecoa pelo meu "apertamento" chega nos vizinhos confessando sem vergonha que ali uma criança está feliz por ser Natal, fazendo uma promessa de futuros Natais felizes, derramando amor.
E este é o sentido do Natal, isso que Jesus queria quando nasceu, que sempre haja uma promessa de amor para o futuro.

Este ano a árvore de Natal aqui em casa não é artificial, é viva, cheira a pinho, assim como nós, vivas e de alma limpa.


E que venha o Natal, trazendo um novo ano de carona...




8 comentários:

Hector disse...

em lágrimas, sem palavras...

apalusos de pé...

Para vc por expor tão bem seus sentimentos...

Para Lu por ser um anjinho curador...

Mas em especial para sua mãe... q além de ter parido uma pessoa tão cheia de luz, ainda foi uma guerreira...

os erros são de emoção...
bjs

Dadi Roza disse...

Nossa........simplesmente lindo...
Eu achava q era soh eu q me sentia assim...Natal pra mim sempre foi uma frustração, desde o dia q meu pai me prometeu q iria me buscar pra passar o natal com ele e ele não foi..passei a meia noite sozinha, no escuro..longe de todos...esperando meu pai...
To em lagrimas...
Depois de ler isso meu Natal vai ser diferente....Mto obrigada!!E não fik tanto tempo sem postar viu?Senti falta das tuas palavras.....
Bjin

Ana Flávia disse...

Jeh...achei que apenas eu me sentia assim, e vc descreveu tão bem tudo, pois meu anjinho curador tb se chama Luiza, ela que pôs cor..(lágrimas)..e vida na minha vida vazia..e trouxe junto dcom ela anjinhos protetores como vcs!!!

Bjussss

Dadi Roza disse...

E viva as Luizas........

A minha filha eh Maria Luiza......

Lindas!!!!!!!!!!!

Impressões Cotidianas disse...

Mais um texto esplêndido!

Vanusa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Ô Jen, vc podia avisar quando um texto seu for arrancar lágrimas viu? rs

menina, que dom esse o seu, vc é muito boa com as palavras, parabéns... e mas, consegue traduzir os sentimentos de uma maneira simples e direta, sem rodeios, mas com muita, muita sensibilidade...
é prosa? não não, é poesia em prova, isso sim...

Hj me peguei pensando no quanto meu filho tem feito eu me modificar... que poder desses pequeninos neh? Quanto ao Natal, eu não tenho um motivo como o seu, mas não sei explicar o porquê de eu não gostar muito de comemorar a data, fico achando-a vazia, oportunidade para o consumismo enfim... e me deparo com esse seu texto brilhante...

Anônimo disse...

errata

e mas = e mais
prova = prosa

rscor